Jogo Sujo

Mais de 200 mil reais para não citar empresário: entenda a prisão de delator da Lava Jato do Rio

“Na delação, entreguei todo mundo. Não entreguei nada a você, pelo contrário”, diz o ex-subsecretário de Saúde do Rio, Cesar Romero, ao empresário Daniel Gomes, que virou delator, em gravação entregue à Justiça

A Polícia Federal prendeu o ex-subsecretário de Saúde do Rio de Janeiro, Cesar Romero, em um prédio no Centro do Rio de Janeiro, por descumprir o acordo de delação premiada firmada com a Lava Jato do Rio em março de 2017. Foram revelados áudios nos quais Romero negocia mentir em uma delação premiada em troca de dinheiro. O juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, que decretou a prisão, afirmou que o ex-subsecretário, “aparentemente, vem utilizando de mecanismo judicial para receber vantagens indevidas”.

As gravações foram feitas pelo empresário Daniel Gomes da Silva, então dirigente da Cruz Vermelha Brasileira. O material foi entregue à Justiça quando ele também virou delator da Operação Calvário, ação do MP da Paraíba, que apura desvios de R$ 134,2 milhões em recursos da Saúde e da Educação na Paraíba, pela qual o ex-governador paraibano Ricardo Coutinho chegou a ser preso.

Daniel informou que Romero recebeu R$ 205 mil para, ao prestar depoimento ao MPF-RJ, dizer que Gomes não havia participado de nada.

Em trecho da gravação, o delator pede mais 100 mil reais de propina para não revelar detalhes do esquema à Justiça.

Cesar Romero: Tão fazendo delação premiada. (inaudível) Eu pensei muito, ontem a noite toda, hoje. A minha já tá pronta, estamos negociando há mais de um mês. Eu vou lá assinar terça feira.

Daniel: Pode deixar que eu seguro pra você.

CR: Você acha que você consegue mais 100 pratas pra mim até segunda-feira?

D: César, vou fazer o máximo e te pago.

Daniel Gomes é investigado por envolvimento em esquema sobre desvios de R$ 134,2 milhões em recursos da Saúde e da Educação na Paraíba, no âmbito da Operação Calvário, pela qual o ex-governador paraibano Ricardo Coutinho chegou a ser preso.

A defesa de Romero, que foi subsecretário de Saúde durante o governo de Sérgio Cabral, disse que estuda o processo e não irá se manifestar.

 

Redação

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