Jogo Sujo

Servidores da Receita Federal são presos por extorsão a investigados da Lava Jato do Rio de Janeiro

Operação da PF

Um dos presos é o supervisor nacional da Equipe Especial de Programação da Receita na Lava Jato do Rio, Marco Aurelio Canal, apontado como chefe do esquema que cobrava propina em troca do cancelamento de multas de alvos da força-tarefa

Agentes da Lava Jato no Rio de Janeiro prenderam nesta quarta-feira (2/10) 12 suspeitos de participar de um esquema de extorsão dentro da Receita Federal, contra investigados da própria força-tarefa. Marco Aurelio Canal, supervisor de Programação da Receita na Lava Jato do Rio e apontado como chefe do esquema, é um dos presos. Canal já tinha sido citado no inquérito sobre ofensas a ministros do STF como um dos responsáveis por uma apuração feita pela Receita sobre 133 contribuintes, entre os quais o ministro Gilmar Mendes. O inquérito que tramita no STF não faz parte das investigações.

Os 14 mandados de prisão e 39 de busca e apreensão foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. Na casa do auditor Elizeu da Silva Marinho , a PF apreendeu R$ 120 mil em espécie. A apuração sobre a extorsão começou quando o grupo abordou o delator Ricardo Siqueira Rodrigues, acusado de atuar na fraude a fundos de pensões. Bretas autorizou uma ação controlada que viabilizou o pagamento da propina, permitindo identificar detalhes do esquema dos suspeitos.

Preso ministrou palestra sobre combate à corrupção
Em dezembro de 2016, Canal deu uma palestra sobre a Lava Jato, a CPI dos Fundos de Pensão e a Divisão de Fiscalização da Receita durante o seminário “Dia Internacional do Combate à Corrupção”, realizado no Rio de Janeiro e promovido pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco-RJ).

Um dos 11 auditores presos é Alexandre Ferrari Araújo, de 50 anos, que faz parte da equipe de fiscalização da Delegacia da Receita Federal no bairro da Barra da Tijuca, onde ele recebia as vítimas ou seus representantes para ouvir as primeiras propostas de propina. Engenheiro por formação, tem um salário líquido de cerca de R$ 20,6 mil pelas 40 horas semanais de trabalho.

Foram alvos de pedidos de prisão preventiva:
Daniel Monteiro Gentil
Elizeu da Silva Marinho
José Carlos Lavouras (foragido)
Marcial Pereira de Souza
Marco Aurelio da Silva Canal
Monica da Costa Monteiro Souza
Narciso Gonçalves
Rildo Alves da Silva
Sueli Monteiro Gentil

Foram alvos de pedidos de prisão temporária:
Alexandre Ferrari Araujo
Fabio dos Santos Cury
Fernando Barbosa
João Batista da Silva
Leonidas Pereira Quaresma

Operação baseada em delação de ex-presidente da Fetranspor
A operação é baseada em novas delações de Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor (Federação das Empresas de Transporte do estado) e de Ricardo Siqueira. Ambos são réus da Lava Jato. Lélis afirma que Elizeu Marinho foi o intermediário do pagamento de R$ 4 milhões em propina para Canal. O objetivo era anular uma autuação contra a Fetranspor. Pela negociação, Elizeu receberia R$ 520 mil.

Redação

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