Um tribunal de Bogotá, na Colômbia, condenou o ex-presidente Álvaro Uribe a 12 anos de prisão domiciliar após ele ter sido considerado culpado por corrupção passiva de testemunhas e fraude processual. A sentença foi divulgada nesta sexta-feira (01/08) pela juíza Sandra Heredia, que ordenou a execução imediata da pena, mesmo após o pedido da defesa para que Uribe permanecesse livre até a análise dos recursos. A juíza afirmou que a decisão foi tomada para garantir a convivência pacífica e já que, devido ao reconhecimento internacional de Uribe, seria provável que ele deixasse o país para escapar da condenação. Uribe, que governou a Colômbia de 2002 a 2010, torna-se o primeiro ex-presidente colombiano a ser condenado criminalmente.
O ex-presidente, de 73 anos, sempre negou as acusações e afirma ser vítima de perseguição política. Durante a audiência, ele declarou que houve falta de investigação e que a política prevaleceu sobre a lei para condená-lo. Sua defesa recorrerá da sentença, que agora será enviada ao Tribunal Superior de Bogotá, que deve se pronunciar até outubro do próximo ano, antes que os crimes prescrevam.
Uribe foi considerado culpado na semana anterior, dia 28 de julho, por incentivar terceiros a adulterar depoimentos de testemunhas, após ser acusado em 2012 de ter ligações com grupos paramilitares.
A condenação e a prisão domiciliar ocorreram após 13 anos de uma batalha jurídica e midiática, marcada por polarização e consequências políticas imprevisíveis.
A origem das acusações remonta a 2012, quando o então parlamentar Iván Cepeda, usando depoimentos de líderes paramilitares, vinculou Uribe ao crescimento do Bloque Metro, uma região do grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), ativo nas décadas de 1990, responsável por muitos civis mortos. Uribe processou Cepeda na Suprema Corte, acusando-o de manipulação, mas a queixa foi rejeitada em 2018.
Contudo, uma reviravolta ocorreu quando a própria Suprema Corte iniciou investigação contra Uribe, após evidências de tentativas de manipulação de testemunhas por parte de seu círculo social, culminando em sua prisão domiciliar em 2020 por riscos de obstrução da justiça. Após 66 dias de detenção, ele renunciou ao mandato de senador.
Ao longo dos anos, várias tentativas de arquivar o caso foram feitas devido à insuficiência de provas, mas todas foram rejeitadas. Após a nomeação de uma nova procuradora-geral, Uribe foi finalmente julgado.
Ele integra uma lista de ex-presidentes latino-americanos com acusações criminais e prisões, incluindo nomes como Lula, Fujimori, Correa, Kirchner e Martinelli.
Após a sentença, o partido de Uribe, Centro Democrático, convocou uma manifestação de apoio, enquanto ele divulgou uma denúncia contra o presidente Gustavo Petro, acusando-o de fazer alegações infundadas e sem respaldo judicial contra ele. Petro, por sua vez, abordou o processo na rede social X, sugerindo que Uribe poderia fornecer uma verdade que ajudaria a superar a violência no país.
A Polícia resguarda a residência de Uribe, que permanece sob vigilância. A Justiça transicional, criada após o acordo de paz com as FARC, é citada na polêmica, enquanto figuras como Cepeda afirmam que a condenação amplia possibilidades de descobertas sobre possíveis encobrimentos por parte do ex-presidente.
Filhos de Uribe interpretam sua condenação como parte de uma estratégia do presidente Petro, que responde defendendo que sua intenção é garantir a liberdade do ex-presidente.






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