Jogo Sujo

Hospitais de campanha não tinham prazo de entrega garantido em contrato

O Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) não tinha, contratualmente, uma data prevista para a entrega dos sete hospitais de campanha que deveriam ser construídos no estado do Rio, pela empresa, durante a pandemia da covid-19. A declaração foi dada pelo superintendente do Iabas, Hélcio Watanabe, durante sabatina realizada pela Comissão Especial de Fiscalização dos Gastos na Saúde Pública Durante o Combate do Coronavírus e pela Comissão de Saúde, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), nesta segunda-feira (29/06).

A Organização Social (OS) já recebeu do governo do estado R$256 milhões, referentes ao contrato geral de R$835 milhões para a construção das unidades. O último pagamento foi feito no dia 8 de maio. No entanto, a presidente da comissão, deputada Martha Rocha (PDT), abriu a reunião destacando que apenas duas unidades, a do Maracanã e a de São Gonçalo, foram concluídas. “Os hospitais deveriam ter sido entregues no dia 30 de abril e com eles mais de mil leitos, porém não foi isso que encontramos”, lamentou a parlamentar.

Em justificativa, Hélcio argumentou que havia um comprometimento por parte do Iabas de entregar as unidades o quantos antes. “Apesar dessa data final para a entrega não estar definida em contrato, não queríamos atrasar as obras, no entanto tivemos dificuldades para elaborar um projeto de construção das unidades em decorrência de ser uma doença pouco conhecida mundialmente. Já começamos pela construção da unidade Maracanã, mas sem um projeto inicial. Não tínhamos noção de como a doença ia evoluir e, além disso, tivemos mais de 40 mudanças estruturais durante o processo das obras”, afirmou.

Carrinhos de Anestesia

Os deputados também questionaram Watanabe quanto a decisão de comprar carrinhos de anestesia no lugar de respiradores. “Isso passou por validações técnicas, antes da efetiva compra. Vale também ressaltar que o carrinho de anestesia funciona como respirador, segundo a Associação Médica Brasileira (AMB). E muitas instituições validam o uso desse instrumento como ventilador no período de Covid”, argumentou.

Watanabe antecipou que já foram comprados 235 carrinhos de anestesia e que eles se encontram no Aeroporto do Galeão, prontos para entrega. Mas apenas 50% dessas unidades já foram pagas. “Depois que passar o período da Covid esses aparelhos poderão ser utilizados em outros hospitais. Por isso, entendo que esse foi um investimento muito melhor do que se tivéssemos comprado apenas ventiladores. Os carrinhos de anestesia serão mais úteis”, justificou.

Segundo Watanabe, o ex-secretário de Saúde Edmar Santos tinha conhecimento e autorizou a compra dos carrinhos por parte do Iabas.

Foto: Divulgação

Redação

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