Jogo Sujo

Operação Pagão mira fraudes na Saúde do Rio desviaram R$ 9,1 milhões

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciou nesta quinta-feira (25/06) uma operação contra administradores da Lagos Rio, Organização Social (OS) que gere hospitais e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) da rede estadual. A Operação Pagão investiga uma suspeita de desvios de mais de R$ 9 milhões em contratos com fornecedores entre 2012 e 2019.

O ex-dirigente e atual fornecedor da OS, Sildiney Gomes Costa foi detido em Vargem Grande. Já o diretor-presidente do Instituto Lagos Rio, de acordo com site da OS, José Marcus Antunes Andrade, foi preso em São Paulo.

José Marcus é cunhado do operador da OS, Juracy Batista, que mora em São Paulo. Ele e o filho, Fábio Souza, estavam no Rio, onde foram presos.

Juracy está afastado do quadro social da OS desde 2012, mas, de acordo com as investigações, continuava atuando com influência no esquema de desvios.

A Justiça do Rio expediu sete mandados de prisão e 14 de busca e apreensão contra 12 denunciados por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Os mandados são cumpridos no Rio de Janeiro  – capital, Petrópolis e Itaboraí – e em São Paulo – capital e Barueri.

Juracy Batista de Souza Filho, que, segundo o MP, ocupava papel central no esquema de desvio de recursos públicos, dirigindo e coordenando as atividades. Ainda de acordo com a ação, também foram denunciados os filhos de Juracy, Fabio Figueiredo Andrade de Souza e Fernanda Andrade de Souza Risden, o cunhado José Marcus Antunes de Andrade, bem como os ex- dirigentes Sildiney Gomes Costa, José Carlos Jorge Lima Buechem, Hugo Mosca Filho. Os empresários apontados como integrantes do esquema são Renê Borges Guimarães, José Antonio Sabino Júnior, José Pedro Mota De Sousa Ferreira, José Antônio Carauta de Souza Filho e Gustavo de Carvalho Meres.

Esquema de desvios

O MPRJ informou que R$ 9,1 milhões teriam sido desviados da Saúde do RJ em contratos com fornecedores. Entre 2012 e 2019, o Instituto Lagos Rio recebeu mais de R$ 649 milhões do governo do Rio. Segundo o MPRJ, a OS não tinha aptidão para assinar contratos de gestão com o Estado, mas forjava sua capacitação técnica com atestados técnicos falsos.

A investigação aponta ainda que o desvio de dinheiro público era feito com o pagamento de valores superfaturados em favor de sociedades empresárias, sob o pretexto da aquisição de produtos ou terceirização de serviços necessários ao atendimento das UPAs e hospitais administrados pelo Instituto Lagos Rio.

O MP explica que as contratações de serviços e as aquisições eram direcionadas para empresas pré-selecionadas, controladas ou previamente ajustadas para o esquema.

Após o pagamento superfaturado, o repasse dos valores excedentes era feito aos dirigentes da organização criminosa ou para terceiros indicados por eles.

“O repasse ocorria com dinheiro em espécie, sacados ‘na boca do caixa’, de modo a ocultar a verdadeira destinação dos recursos públicos desviados ou ainda utilizando empresas ‘de fachada'”, diz a denúncia do MPRJ.

De acordo com o site da OS, o instituto geriu o Hospital Estadual Carlos Chagas (Rio); Hospital Estadual Alberto Torres (São Gonçalo); Hospital Estadual Prefeito Joao Batista Caffaro (Itaboraí); UPA Bangu; UPA Jacarepaguá; UPA Magé; UPA Marechal Hermes; UPA Nova Iguaçu; UPA Realengo; UPA Ricardo de Albuquerque; UPA Niterói; UPA São Gonçalo; UPA São Pedro da Aldeia; UPA Campos dos Goytacazes; UPA Itaboraí.

Foto: Rerpodução de TV

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Redação

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