Jogo Sujo

Deputada do Centrão é suspeita de ter recebido parte do salário de um funcionário

A Procuradoria Geral da República (PGR) denunciou nesta terça-feira (09/06) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a deputada federal Iracema Portella (Progressistas-PI) por suposto crime de peculato em um esquema conhecido como “rachadinha”.

Procurada, a defesa da parlamentar enviou a seguinte manifestação: “A deputada federal Iracema Portella recebeu com surpresa a denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República, já que se trata de fatos inconsistentes. Entretanto, afirma que está tranquila e reafirma sua confiança na Justiça, que deverá revelar a verdade.”

Iracema Portella é ex-mulher do senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e uma das principais lideranças do chamado Centrão.

O caso tramita em sigilo no STF e foi aberto após um funcionário do deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) ter dito à Polícia Federal que repassava parte do salário recebido na Câmara Legislativa à deputada. Na ocasião, a assessoria de Araújo informou que o deputado não tinha conhecimento dos repasses.

Segundo esse funcionário, o repasse foi acertado “desde a oferta do cargo pela deputada Iracema”. Pelo combinado, Rogério Oldacir Rodrigues Cavalheiro ficava com R$ 4 mil mensais e entregava o restante à parlamentar, de acordo com o relato à PF.

Entenda o caso

O caso começou a ser investigado a partir de uma operação de busca e apreensão na casa de Nogueira, em 2018.

No local, policiais federais encontraram um envelope com R$ 8,2 mil em dinheiro, envoltos em dois contracheques de Rogério Oldacir. O embrulho trazia ainda a inscrição: “Entregar nas mãos Dep.”.

A equipe da PF foi, então, à casa do servidor comissionado. Em conversa no local, Rogério Oldacir afirmou que conheceu Iracema Portella e Ciro Nogueira “há cerca de 10 anos, através de seu companheiro”.

O repasse da parcela salarial, segundo ele, foi combinado antes mesmo da posse no cargo. As transferências eram feitas “em espécie ao assessor ‘Afonso’, entregando-lhe pessoalmente”.

Ainda de acordo com a PF, os contracheques que estavam no envelope apreendido mostravam valores líquidos de R$ 11.827,96 e R$ 3.804,15 – “como se boa parte do salário de servidor tivesse sido devolvida a terceiros, no caso, à deputada Iracema Portella”, diz a corporação.

Foto: Câmara dos Deputados

Redação

Redação

Comentar