Jogo Sujo

Forças Armadas usaram verba da vacina para consertar carros; TCU investiga

Pazuello

O Tribunal de Contas da União (TCU) acaba de abrir um processo para investigar indícios de irregularidades identificadas em gastos das Forças Armadas classificados como compra e distribuição de vacinas contra a Covid-19. Os dados do portal da transparência do governo federal confirmam que as Forças Armadas destinaram R$ 21,7 milhões a essa finalidade. No entanto, até agora, foram gastos efetivamente R$ 5,5 milhões, sobretudo em julho e agosto deste ano.

No entanto, as apurações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado e do TCU constatam que o dinheiro foi usado para custear a manutenção e a reparação de carros e aeronaves, a compra de combustível. Parte do dinheiro foi usada para a compra de material aos hospitais militares e de medicamentos sem eficácia contra a Covid, além de gastos com ações sigilosas da inteligência do Exército.

O Exército afirmou que realizou atividades de inteligência de reconhecimento de itinerários e áreas de risco ao material e ao pessoal empregado na vacinação. Além disso, o Ministério da Defesa alegou que os grupos indígenas em localidades de difícil acesso eram os principais atendidos com o suporte à vacinação.

A verba foi repassada às Forças Armadas através de uma parceria estabelecida entre os Ministérios da Saúde e da Defesa, que assinaram um TED (termo de execução descentralizada), permitindo que a Saúde abra mão de recursos à Defesa. Para que os militares auxiliem na logística da imunização, a parceria prevê repasses da ordem de R$ 95 milhões à Defesa.

Na ocasião, o secretário-executivo do Ministério da Saúde era o coronel do Exército Elcio Franco Filho – braço direito do general Eduardo Pazuello, então ministro da Saúde. Ambos foram demitidos em março e hoje ocupam cargos de confiança no Palácio do Planalto.

Redação

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