Jogo Sujo

MP denuncia ex-presidente do Inter Vitório Piffero e dirigentes por suspeita de desvios de R$ 10 milhões do clube

Ex-presidente do Inter, Vitório Piffero

Promotores acusam ex-diretores de estelionato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa

O Ministério Público do Rio Grande do Sul anunciou nesta quarta-feira (6/11) a formalização da denúncia criminal contra 14 pessoas, entre ex-dirigentes, profissionais liberais e empresários de jogadores de futebol pelas supostas fraudes que ocorreram no Inter na gestão 2015/2016. A investigação apontou desvios superiores a R$ 13 milhões. O processo irá tramitar na 17ª Vara Criminal de Porto Alegre. Entre os crimes apontados pela investigação estão estelionato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Entre os denunciados pelo MP estão o ex-presidente Vitorio Piffero e os ex-vice-presidentes Pedro Affatato (Finanças), Emídio Marques Ferreira (Patrimônio) e Carlos Pellegrini (Futebol). Um dos elementos que basearam a denúncia contra Piffero é a tese do domínio do fato, já que o MP concluiu que desvios de recursos não poderiam ter ocorrido de diferentes setores do clube, como obras fictícias e comissões  ilícitas em transações de jogadores, sem o conhecimento e o consentimento do presidente.

Investigadores detectaram comissões ilícitas em vendas de jogadores 
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) analisou movimentações bancárias, cruzou dados e colheu depoimentos para apurar a ocorrência dos crimes cometidos no clube. Cerca de R$ 10 milhões teriam sido desviados em benefício de Affatato, por meio de apresentação de notas fiscais com serviços fictícios para justificar saques de dinheiro do clube. Empresas da família do ex-vice de finanças teriam sido usadas para lavagem de dinheiro.

Ele foi denunciado por organização criminosa e a prática de 200 estelionatos, como co-autor. O regime era presidencialista no clube, as decisões eram tomadas por ele. Ele era um presidente participativo. Nestes termos, considerou-se a participação dele como decisiva nos crimes que foram imputados — explicou o promotor Flávio Duarte.

Segundo o MP, Emídio Ferreira teria recebido R$ 53,4 mil em sua conta pessoal e de uma empresa de sua propriedade, a Pavitec do Brasil Pavimentadora Técnica Ltda. Carlos Pellegrini, ex-vice de futebol, teria obtido mais de R$ 230 mil em comissões para concretizar negociações de jogadores como Paulo Cézar Magalhães, Cláudio Winck, Alisson, Ariel e Réver.

Foram pagos R$ 5,3 milhões por serviços nunca realizados e empresas contratadas pertenciam a familiares dos dirigentes
Affatato, por exemplo, usou uma empresa da sua família, a Rodoseg Segurança e Engenharia Rodoviária, para instalar guard-rails no complexo Gigante da Beira-Rio ao custo de R$ 1 milhão. Ele apresentou as notas da Rodoseg para dar baixa em adiantamentos sacados no caixa do clube. Conforme a lei que estabeleceu o Programa de Modernização da Gestão de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), é vedado aos clubes contratar empresas das quais façam parte os seus gestores ou familiares.

Durante as investigações, visitas às empresas em busca de contato com seus proprietários indicaram que algo não soava bem. Um apartamento em Torres, no Litoral Norte, deveria ser a sede da empresa Keoma Construção Incorporação e Planejamento. Mas o local estava fechado, e ninguém do prédio conhecia a empresa, embora houvesse notas fiscais no valor de R$ 5,3 milhões na tesouraria do Inter, cobrando por obras não realizadas. A empresa recebeu R$ 635 mil referente a sete notas fiscais por “serviços de limpeza de área para sondagem no CT do Inter em Guaíba”. A obra não existiu, e o clube sequer tinha licença da Fepam para intervenção no local naquela época.

 

Redação

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