Jogo Sujo

Operação contra fraudes na Cedae mira ex-diretores e empresa de engenharia

A Polícia Civil, o Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) realizam, nesta quarta-feira (1º/07), operação contra fraudes em licitações e contratos firmados com a Companhia Estadual e Águas Esgotos do Rio (Cedae). Equipes cumprem 14 mandados de busca e apreensão nas residências de quatro ex-diretores e funcionários da estatal e de empresários da firma de engenharia Chison. As sedes de ambas as empresas também são alvo dos agentes.

A ação denominada Águas Claras é realizada após um ano de investigações. Os suspeitos seriam responsáveis por superfaturar contratos e pagar propina a agentes públicos, como ex-diretores e prefeitos no interior do Rio, para obter vantagens em prestações de serviços. O TCE estima que, desde 2018, o grupo causou um prejuízo de R$ 63 milhões aos cofres públicos.

Os empresários e ex-diretores monitorados ao longo das investigações estariam envolvidos num esquema criminoso com uso de informações privilegiadas da Cedae.

Um dos alvos da operação é o desvio de dinheiro na Diretoria de Interior da Cedae, comandada por Carlos Henrique Braz. O pai do diretor é obreiro da Assembleia de Deus, igreja do homem-forte do governo, pastor Everaldo Dias. É dele e de seu filho, Felipe Pereira, assessor especial do governador.

As relações entre o pastor e Witzel andam estremecidas, desde a explosão do escândalo na Saúde. Sua influência na Cedae, no entanto, aumentou, de acordo com funcionários do conselho deliberativo. O pastor sempre negou essas interferências, mas, em entrevista à Época, no ano passado, admitiu influência sobre o governo.

De acordo com o TCE, funcionários disponibilizavam senhas de acesso ao sistema da estatal e passavam aos empresários o andamento de processos de dispensa de licitação para que, então, estes pudessem agir junto aos diretores. O possível pagamento de propina ocorria de três formas: benefícios com aluguéis de carros, uso de cartões corporativos e, em alguns casos, dinheiro em espécie.

Foto: Divulgação

Redação

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