Jogo Sujo

Polícia de Goiás investiga suspeita de superfaturamento em contratos do Detran com sites

delegacia goiás

Irregularidades teriam acontecido entre 2014 e 2017 na gestão de Marconi Perillo. Investigados reclamam de perseguição política a veículos independentes que criticam governo de Ronaldo Caiado

Uma operação da Polícia Civil foi deflagrada nesta quinta-feira (23/1) em Goiás para investigar a existência de fraudes e superfaturamentos de contratos entre a Agência Brasil Central (ABC), o Departamento de Trânsito de Goiás (Detran) e sites e blogs de Goiás. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Hidrolândia. O prejuízo é estimado em R$ 2 milhões. O delegado explicou que o Detran e a extinta Agencia Goiânia de Comunicação (Agecom), atual ABC, fizeram uma licitação para contratar agências de comunicação responsáveis por divulgar campanhas de órgãos do governo.

Somente no Detran foram apreendidos 500 processos. Diversas pessoas foram ouvidas na Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Contra a Administração Pública. Na Assembleia Legislativa de Goiás, os agentes recolheram documentos na Diretoria de Comunicação. Em nota, o Legislativo informou que “não tem relação alguma com a Operação Sofismas, da Polícia Civil”.

As investigações começaram em abril de 2019, após um pedido do Ministério Público, que abriu uma ação civil pública para apurar improbidades administrativas. Segundo o delegado responsável pelo caso, Alexandre Otaviano Nogueira, as fraudes aconteceram entre 2013 e 2017.

Superfaturamento teria favorecido veículos pequenos
Dez agências eram responsáveis por contratar os sites e blogs para veiculação dessas mídias. Mas, segundo o delegado, essa escolha estava sendo direcionada a pedido dos então gerentes das empresas estatais investigadas”, disse o delegado.

“Sites e blogs pequenos, com um número de acesso muito inferior a grandes veículos, que tinham mais visibilidade para prestar o serviço público, recebiam um valor muito maior”, completou o responsável pela investigação.

Os investigados podem responder por peculato, corrupção ativa, corrupção passiva e associação criminosa

Investigados reclamam de perseguição a sites críticos ao governo Caiado
Em nota, o ex-governador Marconi Perillo, que estava à frente do estado no período, disse que as contratações dos espaços publicitários nesses veículos foram realizadas absolutamente de acordo com a legislação e respaldadas em licitação.

“A pergunta que fica é: por que não investigam todos os outros órgãos de imprensa que também receberam mídias do governo anterior? As contratações dos espaços publicitários nesses veículos foram realizadas absolutamente de acordo com a legislação, respaldadas em licitação. Essa ação policial de hoje tem nome: Operação Censura. É a verdadeira face de um governo ineficiente e inoperante, que não aceita lidar e conviver com os princípios democráticos da crítica e do contraditório, e que se mostra cada dia mais próximo da política adotada por Joseph Goebbels, o mentor da comunicação do governo de Adolf Hitler: perseguir a imprensa livre e repetir mentiras, infinitas vezes, para tentar transformá-las em verdades”, comunicou Perillo

O ex-presidente do Detran e procurador do Estado João Furtado de Mendonça Neto, um dos 17 alvos da Operação Sofisma, afirmou em nota que as forças de segurança do governo trataram como alvos “os blogs e jornalistas que criticaram o governo e o promotor do caso. Os veículos amigos foram poupados”. “Devo me solidarizar com essa tentativa de intimidação à imprensa livre”, completa.

O radialista Cleuber Carlos, um dos investigados, afirmou, em nota, que a operação é uma “perseguição que Ronaldo Caiado realiza contra Marconi e seus aliados para tentar justificar a sua incompetência”.

 

Redação

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