Jogo Sujo

Registradora de financiamento de veículos tem endereços fantasmas, sócios ocultos e aumento súbito de patrimônio

terreno CE

Novas denúncias envolvem a empresa Place TI, credenciada pelo Detran do Paraná

A reportagem do Agora Paraná percorreu os endereços oficiais onde funcionariam registradoras de financiamentos de veículos com os maiores bancos privados do Brasil. Segundo a matéria, a B3, a quinta maior Bolsa de Valores do mundo, manteria um hub de prestadores de serviços laranjas para seguir ditando os rumos deste mercado de forma velada. Nos endereços oficiais, não existem operações das registradoras, apenas coworkings. Uma das sedes fica dentro de uma área comandada pelo tráfico, em Fortaleza. Para entrar no local, é preciso baixar os vidros do carro, caso contrário o veículo pode ser alvejado por tiros.

“Visitamos sedes de registradoras onde encontramos apenas endereços fiscais em coworkings pelo Brasil. Este é o caso da Place TI. Mesmo sem nenhum tipo de operação, a empresa começou a ganhar mercado a partir de um encontro de Mário Pagnozzi e Dhiego Santos Soares”, informa a reportagem.

Pagnozi abriu as portas do mercado de registros para a Place TI em troca de uma fatia dos recursos e de networking com os bancos. Para que isso fosse possível, a RLX ingressou na sociedade com a Place TI com aumento de capital social de R$ 100 mil para R$ 500 mil. A RLX foi representada por Rafael Limonta, sócio de Pedro Pagnozzi (filho de Mário Pagnozi) em um grupo de restaurantes de alta gastronomia em São Paulo.

Responsáveis pelo coworking confirmam que empresa nunca funcionou no local
Em seu site, a Place TI informa ter endereços em Natal, Brasília e São Paulo. Na capital do Rio Grande do Norte, os repórteres encontraram apenas um coworking que mantém um endereço fiscal para correspondências, sem nenhum tipo de operação. O responsável pelo coworking local confirmou que a Place TI mantém apenas endereço fiscal para receber correspondências. Já na suposta sede em Brasília foram encontradas duas pessoas. O diretor presidente da empresa, Nilton Marcelo de Andrade, chegou a dizer que não há necessidade de se manter call center, pois o processo seria “seria todo sistêmico”.

“O importante para o banco é o gravame. Vários bancos já declararam que o registro é uma aberração, mas está no código civil. Para eles, o importante é a garantia do bem. Se você não pagou, devolve o carro. Eu só consigo registrar o contrato uma vez que ele está no SNG (Sistema Nacional de Gravames). Eu só consigo fazer o registro no Detran na hora que o gravame está registrado. O contrato é um passo dois no processo. O passo um é gravame, o passo dois é contrato”, afirmou Nilton.

Mais de 15 mil registros por mês em SP, mas no endereço paulista não existe base operativa
Nilton disse que a operação é descentralizada em São Paulo, cidade onde disse “operam mais de 15 mil registros por mês, com um faturamento superior a R$ 1,5 milhão”. Porém, assim como em Recife, em São Paulo, na Vila Olímpia, endereço oficial da Place TI, funciona um coworking que mantém apenas o endereço fiscal da empresa. “Nunca teve ninguém da Place TI aqui”, resumiu o responsável pelo coworking paulistano.

A reportagem ligou para o telefone indicado no site oficial com o DDD 011. Questionado sobre o endereço, ele titubeou e não soube responder. Passou, então, o telefone para outra pessoa, que limitou-se a dizer que qualquer informação teria que ser solicitada por email. Porém, o atendente esqueceu o telefone fora do gancho, e foi possível ouvir a sua conversa com um dos diretores, Dhiego Santos Soares, que demonstra preocupação.

“Nós já estamos correndo risco, porque esses caras vieram ao nosso escritório e graças a Deus não viram nossa operação, mas estraram na recepção, na sala de reuniões e agora estão em São Paulo e estão doidos para pegar algum rabo nosso. Lá em São Paulo a gente não tem ninguém é só o nosso endereço fiscal”, disse Dhiego ao atendente.

Reportagem anterior já havia mostrado que a Place TI obteve aumento repentino do patrimônio líquido através de compra de um terreno de cerca de R$ 20 mil, avaliado posteriormente em R$ 5,7 milhões por “erro de digitação do contador”, pouco mais de um mês após a publicação da portaria do Detran-MG exigindo patrimônio mínimo de R$ 5 milhões das empresas credenciadas pelo órgão para o registro de financiamento de veículos.

Redação

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