Jogo Sujo

Vinte vereadores de Uberlândia são presos por fraude e desvio de verbas

Câmara de Uberlândia

Os mandatários foram detidos no âmbito de duas operações do MPMG que investigam desvios de recursos para impressões gráficas e em contratos de serviços de vigilância

Vinte vereadores de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, foram presos nesta segunda-feira (16/12) em duas operações do Ministério Público de Minas Gerais contra irregularidades na Câmara Municipal, que tem 27 cadeiras e 30 vereadores (27 em exercício e três afastados). A principal Operação se chama Má Impressão e investiga desvio de recursos da verba indenizatória de gabinete da Casa por meio de uso de notas fiscais frias de gráficas, segundo o Gaeco do MPMG.

Mandados judiciais de 19 vereadores foram cumpridos na ação principal, batizada de Má Impressão, que apura desvio de verbas de gabinete por meio de serviços de impressão. Um dos presos já estava no Presídio Professor Jacy de Assis. O vigésimo parlamentar foi alvo da Operação Guardião, que investiga fraude em contratos de vigilantes da Câmara. O presidente da Câmara, Hélio Ferraz, o Baiano (PSDB), é alvo das duas operações. A defesa dele informou que ainda está tomando ciência do caso.

Mais de 17 milhões de informativos foram impressos ao longo de três anos
“Tivemos nesses últimos três anos 17,5 milhões de informativos impressos por esses vereadores, que corresponde a 35 informativos por eleitor. Obviamente esse número é irreal, se fizer pesquisa percebemos que muitas pessoas nas ruas não receberam informativos”, disse o promotor de Justiça Daniel Marotta Martinez.

O promotor ainda detalhou que, de janeiro de 2017 a dezembro de 2019, os vereadores gastaram mais de R$ 4 milhões em serviços de impressões. Algumas gráficas não tinham capacidade de prestar o tipo de serviço que estão nas notas, enquanto outras funcionam regularmente, mas não compravam material suficiente dos descritos nas notas fiscais.

Contratos com vigilantes envolviam funcionários fantasmas
A Operação Guardião também foi desencadeada hoje pelo Gaeco para combater fraude na execução no contrato de vigilantes firmado pela Câmara Municipal. Foram cumpridos mandados de prisão temporária contra os vereadores Alexandre Nogueira, Juliano Modesto e Hélio Ferraz, e também contra o recém vereador empossado Marcelo Cunha. Tem ainda mandados de prisão preventiva contra outros três funcionários da Câmara.

“Apreendemos farta documentação e, com base nesses documentos e provas, comprovamos fraude na execução do contrato com funcionários fantasmas”, afirmou o promotor e coordenador do Gaeco, Daniel Marotta.

No início do mês, o Gaeco esteve na Câmara e recomendou que os contratos com as empresas responsáveis pela segurança e limpeza do Legislativo não fossem renovados. As duas companhias fazem parte do mesmo grupo e são investigadas. Ambas empresas foram contratadas no período em que os vereadores Alexandre Nogueira e Juliano Modesto eram da mesa diretora.

Redação

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