Jogo Sujo

Cabral confirma participação de Pezão na organização criminosa que cobrava 5% de empreiteiras sobre contratos

Sérgio Cabral transmite o cargo de governador a Luiz Fernando PezãoTomaz Silva/Agência Brasil

Ele ainda garantiu que baixou o valor da propina para 5%, em comparação aos governos anteriores do casal Garotinho, que teriam cobrado de 15% a 20% de empreiteiras

Em novo depoimento na tarde desta segunda-feira (3/2) ao juiz Marcelo Bretas no âmbito da Lava Jato, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) disse que o também ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB), seu vice, ajudou a estruturar o esquema de propina da organização criminosa que o levou à prisão. Pezão teria recebido R$ 400 milhões para a campanha à reeleição.

“O vice-governador Pezão participou da estruturação dos benefícios indevidos desde o primeiro instante do nosso governo (da organização criminosa). Desde mesmo da campanha eleitoral e durante os oito anos em que fui governador e posteriormente tenho algumas informações a respeito (da continuidade do esquema)”, disse Cabral.

Segundo o ex-governador, o esquema começou na administração da família Garotinho. Porém, na versão de Cabral, o valor reduzido da propina foi reduzido.

“Antes, eram 15% a 20% pagos aos governos anteriores da Rosinha e Garotinho. Eu estabeleci junto com Pezão o percentual de 5%: 3% para o meu núcleo, 1% para o núcleo dele, que era a Secretaria de Obras, e 1% para o TCE [Tribunal de Contas do Estado], para aprovação das licitações”, declarou Cabral.

Para Garotinho, acusação prova “ressentimento” de Cabral
Tanto os ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Matheus quanto Pezão negam as acusações.

Garotinho respondeu às acusações através das redes sociais:

“Cabral confessou alguns de seus crimes e a participação de seu vice Pezão em alguns deles. Seu ressentimento em relação a mim e a Rosinha ficou evidente ao afirmar que ‘diminuiu a taxa de corrupção antes praticada’. Se tem alguma prova contra mim, deve entregá-la ao Ministério Público, como fiz em relação a ele seus comparsas. Não respondo a nenhum processo na Lava Jato, apenas ações movidas pela Justiça de Campos, por perseguições de grupos locais”.

Por sua vez, Pezão depôs à Justiça logo depois de Cabal e se defendeu.

“O senhor (juiz Marcelo Bretas) me desculpe o desabafo, mas é a primeira vez que tenho chance da falar. Fui tirado dali do Palácio Laranjeiras e jogado na cadeia. E minha família passando por isso tudo. É uma inverdade, uma mentira grande (o que o Cabral disse)”.

Pezão disse também que só conheceu a existência da propina chamada de “taxa de oxigênio” pela imprensa:

“Me surpreende muito nos depoimentos o ex-governador dizer que eu fui o criador dessa taxa”.

Operação Boca de Lobo é desdobramento da Lava Jato do Rio
A denúncia do Ministério Público que deu origem à Operação Boca de Lobo sustenta que Pezão recebeu R$ 40 milhões em propina. Conforme o blog publicou, o esquema foi delatado por Carlos Miranda, operador de Cabral. Segundo o delator, Pezão recebia mesada de R$ 150 mil.

Começou com R$ 50 mil, depois passou para R$ 100 mil e depois para R$ 150 mil. Como se dava isso? O Vivaldo me entregava na Rua Coelho Neto. Algumas vezes, já me entregava com os envelopes prontos. Algumas vezes, me entregava em uma sacola e eu ia para uma sala na Secretaria de Governo. Ali, eu separava o que era de cada um e ia entregar”, declarou à Justiça Serjão.

Redação

Redação

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  • Desde a gestão Garotinho que o Detran não consegue colocar o servidor concursado do Detran-RJ na vistoria veicular dos Postos de Vistoria. Os terceirizados fazem todo o ato administrativo do Licenciamento e o servidor público só assina um papel fingindo dar uma “legalidade” ao ato. Com Cabral, foi a pior fase no Detran-RJ.