Jogo Sujo

Defensoria investiga falta de sedativos em hospital do Rio referência no combate ao coronavírus

Hospital Ronaldo Gazolla

Médicos denunciam estoque zerado de insumos usados em doentes em coma induzido no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla. Prefeitura abre sindicância para investigar mortes ocorridas no último domingo

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro abriu uma ação para investigar a denúncia de médicos e diretores do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, situada no bairro de Acari – e unidade de referência para o tratamento de covid-19 –  de que estão faltando sedativos para pacientes e que não há mais insumos para manter doentes em coma induzido. Quatro funcionários do hospital e um dos diretores denunciaram a uma reportagem de TV que seis pessoas morreram no domingo na UTI por causa da falta desses medicamentos.

Em ofício enviado às autoridades municipais, defensores requisitam, em até 24 horas, informações sobre o estoque da farmácia e o registro de óbitos dos últimos 15 dias.

A Defensoria também quer saber do empréstimo ou cessão de materiais — como admitido pela prefeitura — e se essa movimentação colocou em risco o estoque da unidade.

“Pessoas doentes com Covid, mas não esperava óbito naquele momento”, disse um dos chefes da unidade.

A unidade de Acari, Zona Norte do Rio, é a de referência para tratamento de Covid-19 na rede sob gestão do município. A Prefeitura do Rio negou que a farmácia tenha se esgotado, mas informou que uma sindicância será aberta.

Um diretor sugeriu a transferência de pacientes e afirmou: “Teremos, infelizmente, um número de óbitos expressivo por falta de medicamentos.”

Diversos profissionais das redes municipal, estadual e federal relatam a falta de medicamentos.

Os principais são os sedativos Fentanil e Midazolam, além do antibiótico Azitromicina, o antiviral Tamiflu e o remédio para controlar pressão Noradrenalina (Nerepirefrina). Todos esses são usados no tratamento para covid-19.

Um dos problemas é que esses sedativos não eram muito necessários nos atendimentos, mas a demanda explodiu com a pandemia, por causa da alta quantidade de pessoas entubadas diariamente.

Prefeitura nega que estoque esteja zerado

Representante do gabinete de crise da prefeitura e subsecretário de Saúde, Alexandre Campos confirmou a escassez de medicamentos essenciais, mas negou que o estoque tivesse zerado. Ele disse que uma sindicância será aberta para investigar as mortes no Ronaldo Gazolla neste domingo.

“Não faltou medicamento dentro do Hospital Ronaldo Gazolla, havia opções, como há hoje. Os estoques de medicamentos estão todos muito restritos, e nós estamos fazendo sindicância que vão apurar exatamente as condições em que isso ocorreu. Se isso ocorreu. Assim que as sindicâncias concluírem algo, as responsabilidades vão ser tomadas”, disse Alexandre Campos.

Redação

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