Jogo Sujo

Dono do Grupo Petrópolis vira réu na Lava Jato

Grupo Petrópolis

Walter Faria e outros 21 investigados são acusados de lavagem de dinheiro desviado pela Odebrecht de contratos com a Petrobras

A 13ª Vara Federal de Curitiba abriu ação penal contra o proprietário do Grupo Petrópolis, Walter Faria, e outros 21 investigados que mantêm ligações com o grupo, a Odebrecht e o Antígua Overseas Bank por 642 atos de lavagem de dinheiro. O esquema teria movimentado, entre 2006 e 2014, cerca de R$ 1,1 bilhão em valores atualizados. O processo é resultado da 62ª fase da operação, denominada “Rock City”, para apurar o envolvimento de executivos da empresa na lavagem de dinheiro desviado pela Odebrecht de contratos com a Petrobras.

As investigações apontam que o empresário Walter Faria “atuou em larga escala na lavagem de ativos e desempenhou substancial papel como grande operador do pagamento de propinas”. Ele também teria “atuado no pagamento de subornos decorrentes do contrato da sonda Petrobras 10.000”. Em contrapartida, ele teria recebido “altas somas no exterior e uma série de negócios jurídicos fraudulentos no Brasil”, conforme o Ministério Público Federal.

A Lava Jato acusa a Odebrecht de repassar o dinheiro ilícito diretamente a contas no exterior relacionadas à empreiteira e ao grupo Petrópolis. Para isso, teria usado “camadas de contas estrangeiras em nome de diferentes offshores”.

Faria já foi preso e solto por um habeas corpus
Segundo a Procuradoria, a estratégia “envolveu também a utilização de complexa estrutura financeira de contas no exterior relacionadas às atividades do grupo Petrópolis. De acordo com documentação encaminhada pela Suíça, foram identificadas 38 offshores distintas com contas bancárias no EFG Bank de Lugano, controladas por Faria. Mais da metade dessas contas permaneciam ativas até setembro de 2018.”

Faria teve a prisão preventiva decretada em julho do ano passado, em nova fase da Operação Lava Jato (a “Rock City”). Naquela ocasião, a Lava Jato relatou que integrantes do Grupo Petrópolis tinham sido presos pela lavagem de R$ 329 milhões entre 2006 e 2014 em doações eleitorais, consideradas propinas de interesse da construtora. Walter Faria foi considerado foragido até se apresentar à Polícia Federal, em Curitiba, no dia 5 de agosto, e permaneceu preso até 11 de dezembro, quando obteve um habeas corpus junto à Oitava Turma do TRF-4.

 

Redação

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