Jogo Sujo

Empresário preso pela Lava Jato no RJ possui contratos em R$ 129 milhões com governo Witzel

Polícia Federal

Ministério Público Federal identificou acordos com Faetec e Detran-RJ através da empresa Atrio Rio

De acordo com procuradores do Ministério Público Federal (MPF), o empresário Mário Peixoto, alvo da Operação Favorito do dia 14 de maio, conseguiu obter contratos no valor de R$ 129 milhões com o atual governo de Wilson Witzel (PSC). Os investigadores descobriram indícios de que o grupo estava interessado em participar de negócios em hospitais de campanha montados no combate ao coronavírus.

Além disso, de acordo com informações que circulam na imprensa, o secretário de Desenvolvimento do Rio de Janeiro e braço direito de Wilson Witzel, Lucas Tristão, tem proximidade com Mário Peixoto. Tristão advogou para a Atrio Rio, empresa controlada pelo filho de Peixoto, em um processo contra o estado do Rio. Witzel e Tristão dizem ter sido sócios, embora a sociedade nunca tenha sido formalizada.

Dois presos na Operação Favorito, Alessandro Duarte e Cassiano Luiz, são operadores financeiros de Mário Peixoto, e atuavam como procuradores da conta bancária da empresa Atrio Rio Service.

Em e-mails de Alessandro Duarte, os procuradores encontraram planilhas anexadas com detalhes de despesas com o nome da Organização Social (OS) Iabas – esta ganhou um contrato de mais de R$ 850 milhões para administrar sete hospitais de campanha exclusivos para tratamento de pacientes com Covid-19. As mensagens, segundo o MP, indicam que a organização criminosa pode estar tentando expandir a influência para contratos da Iabas.

Peixoto também seria o beneficiário de contratos em vigor com Detran-RJ e Faetec
Segundo os procuradores, diálogos de pessoas ligadas a Peixoto mostram que ele seguiu sendo beneficiado com contratações direcionadas no governo em órgãos como Detran-RJ e Faetec (Fundação de Apoio à Escola Técnica). A Atrio Rio, principal empresa ligada a Peixoto segundo o MPF, foi beneficiada por mais de R$ 91,6 milhões em contratos com dispensa de licitação na Faetec.

Um dos integrantes do suposto esquema investigado pela Lava Jato, Luiz Roberto Martins —preso na Operação Favorito— afirmou em conversa telefônica que Peixoto estava sendo beneficiado de maneira ilícita pelo governo.

“Mas botou uma tropa de choque para trabalhar, e tá pagando um cachezinho, aquele cachezinho básico 500 mil para um 1 milhão para outro. Ele não é brincadeira não. Só de janeiro e fevereiro são dois emergenciais. Um na CST tecnologia, na Faetec de 35 milhões de reais na Atrio e outro de 26 milhões no Detran. Ele não tem jeito, é do c*, aquele…”

A transcrição consta na fundamentação do juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelas ações da Lava Jato no Rio.

Governo do RJ comunica que realizará auditoria em contratos
Em nota, o Núcleo de Imprensa do Governo do Estado informa que:

– Por determinação do governador Wilson Witzel, a Controladoria-Geral do Estado (CGE) e a Procuradoria Geral do Estado (PGE) encaminharam nesta quinta-feira (14/05) ofício solicitando à Justiça Federal informações sobre empresas e pessoas envolvidas na operação de hoje para auditar e analisar todas as suspeições levantadas pelo Ministério Público Federal.

– Todos os contratos celebrados pelo Governo do Estado com as empresas envolvidas serão auditados pela CGE, para verificar as possíveis ilegalidades e danos aos cofres públicos. Também serão feitos cruzamentos de contratos sociais das empresas para identificação de conluios entre as mesmas e seus sócios. Enquanto durar a auditoria da CGE, todos os pagamentos aos fornecedores fiscalizados serão suspensos e, caso sejam encontradas irregularidades, os contratos serão cancelados.

 

Redação

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