Jogo Sujo

Ex-diretor do Ministério da Saúde nega à CPI ter pedido propina para compra de vacina

Roberto Dias Agência Senado

O ex-diretor do Departamento de Logística (DLOG) do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, negou ter pedido propina ao cabo da PM de Minas Gerais e vendedor autônomo da Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominghetti Pereira, em troca da assinatura do contrato para a compra da vacina AstraZeneca. O depoimento foi dado nesta manhã (07/7) à CPI da Covid, no Senado Federal.

À CPI da Covid, em 1º de julho, Dominghetti afirmou que Roberto Dias cobrou propina na compra das vacinas. De acordo com o relato, ele pediu US$ 1 por dose para fechar o contrato de compra de 400 milhões de doses do imunizante com a Davati Medical Supply.

O ex-diretor declarou que, em 25 de fevereiro, combinou de beber um chope com o amigo José Ricardo Santana, ex-funcionário da Câmara de Medicamentos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). De acordo com ele, ambos já estavam no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, quando o coronel Marcelo Blanco chegou ao mesmo estabelecimento acompanhado de Dominghetti.

Roberto Dias relatou que os quatro conversaram sobre amenidades, até que Blanco apontou que Dominghetti teria uma proposta comercial de vacinas para fazer ao Ministério da Saúde. Dias, então, teria respondido que a informação sobre a possibilidade de venda de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca já circulava na pasta. Teria pedido, então, que Dominghetti formalizasse um pedido de agenda junto ao Ministério da Saúde e levasse documentos que comprovassem a capacidade da Davati de entregar as doses oferecidas.

Roberto Dias nega ter sido indicado pelo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros

O ex-diretor do DLOG, porém, não soube explicar à CPI da Covid como Blanco, que à época já não trabalhava mais no Ministério da Saúde, e o vendedor autônomo da Davati chegaram ao restaurante exatamente quando ele tinha um compromisso pessoal com um amigo.

“O coronel Blanco muito provavelmente sabia que eu estava neste restaurante, por telefone ou mensagem”, justificou à CPI.

Roberto Ferreira Dias também negou à CPI da Covid que a indicação sua para o cargo de diretor tenha sido do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR). Ele afirmou ter sido indicado pelo ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR).

“Mandetta (ex-ministro da Saúde) recebeu meu currículo das mãos de Abelardo Lupion”, disse.

Redação

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