Jogo Sujo

Grupo que desviava precatórios das Forças Armadas é desarticulado pela polícia do Distrito Federal

Polícia Civil

Um dos membros da quadrilha era PM da reserva. Criminosos recebiam as indenizações através de documentos falsificados e teriam desviado R$ 5 milhões em poucos meses

Um grupo suspeito de realizar fraudes milionárias em precatórios (ordens de pagamento referentes a indenizações) das Forças Armadas foi preso pela Polícia Civil durante a Operação 100%. A organização teria movimentado mais de R$ 5 milhões em poucos meses. Os suspeitos obtinham informações dos beneficiários que tinham valores altos a receber, falsificavam documentos, entravam em contato com empresas especializadas e vendiam os precatórios.

Após seis meses de investigação, a polícia prendeu dois integrantes do grupo, sendo que um deles policial militar da reserva do DF. Além disso, foram apreendidos dezenas de documentações falsas durante os quatro mandados de busca e apreensão realizados até o momento, três ocorridos no Gama e um no Lago Norte.

De acordo com o delegado-adjunto da 14ª DP, Dr. Ricardo Bispo Farias, as investigações começaram após a denúncia de uma vítima, seis meses atrás.

“Ele havia identificado uma movimentação suspeita no precatório que ele seria beneficiário, portanto, compareceu à delegacia e relatou a situação para a nossa equipe. A partir dessas informações, nós fizemos diversos levantamentos e conseguimos identificar pelo menos 5 integrantes do grupo criminoso”, disse.

Envolvidos obtinham os dados dos verdadeiros beneficiários no site do TJ do DF
Um dos integrantes da organização criminosa era responsável por monitorar o site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal para descobrir as informações dos beneficiários dos precatórios. Após obter esses dados, o grupo iniciava o processo de produção de documentações falsas das vítimas, tais como identidade, carteira de habilitação de motorista e comprovante de residência.

Com o intuito de roubar as vítimas, eles levavam as documentações falsas e se passavam pelos beneficiários dos precatórios no Poder Judiciário e em bancos. Assim que adquiriam a requisição judicial de pagamento, um dos membros fingia que era corretor de créditos bancários e vendia os precatórios para as empresas especializadas por altos preços, sendo que uma das negociações gerou R$ 1 milhão de lucro ao grupo criminoso. Após o recebimento do dinheiro das empresas, a quantia era dividida entre a organização criminosa em diversas contas bancárias.

O grupo gerou, no mínimo, R$ 5 milhões de prejuízo à Fazenda Pública. Os suspeitos, até o momento, já foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, falsificação de documento público, estelionato, uso de documentações falsas e falsidade ideológica. A pena dos criminosos pode durar até 25 anos de prisão.

Redação

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