Jogo Sujo

Operação que afastou deputado Wilson Santiago flagrou imagens de prefeito escondendo R$ 25 mil na cueca

prefeito João Bosco esconde dinheiro cueca

Prefeito de Uiraúna, João Bosco (PSDB), foi preso por suspeita de envolvimento em esquema que cobrava 10% sobre valor de contrato para construção de adutora no sertão da Paraíba

A Operação Pés de Barro, da Polícia Federal, que investiga o pagamento de propinas desviadas de recursos da construção de uma adutora em Uiraúna, cidade no sertão da Paraíba, identificou várias entregas de dinheiro para o prefeito da cidade, João Bosco (PSDB), e para o deputado federal Wilson Santiago (PTB), que foi afastado do cargo pelo STF.

Segundo a PF, Israel Nunes, secretário parlamentar do gabinete de Santiago, recebeu uma mochila do empresário George Ramalho Barbosa com R$ 50 mil em propina na praça de alimentação do Aeroporto Internacional de Brasília. O montante foi entregue no dia 7 de novembro deste ano e o assessor o transportou até o Anexo IV da Câmara dos Deputados, onde fica o gabinete de Santiago.

A quantia teria sido entregue em 23 de outubro de 2019 por George Barbosa, executivo da empresa Coenco Construções, no Hotel “Vó Itá”, na cidade paraibana de Sousa. A denúncia revela quem no dia do encontro, o prefeito cobrou de George Barbosa R$ 200 mil que ainda estavam faltando das propinas acertadas no esquema. O empresário explicou que só havia levado até o hotel R$ 25.000 para que Bosco entregasse a Evani Ramalho, secretária de Wilson Santiago.

Montante foi escondido na cueca após encontro com executivo de empresa em hotel
Em imagem obtida durante a investigação da PF, o prefeito de Uiraúna, João Bosco, aparece depois de um encontro no Hotel “Vó Itá”, em Sousa (PB), com R$ 25 mil em dinheiro escondidos dentro da cueca, que seriam posteriormente entregues a Santiago. Ele foi preso no último sábado (21/12), durante o cumprimento de mandados da operação Pés de Barro, assim como Evani Ramalho e Israel Nunes de Lima, ambos assessores do deputado Santiago, e Severino Batista do Nascimento Neto, motorista do prefeito Bosco.

Para os investigadores, a empresa COENCO foi contratada por R$ 24,8 milhões para construir a adutora e, após negociações entre Wilson Santiago e o empresário George Ramalho Barbosa, ficou acertado que, sobre o valor do contrato, o repasse de propinas seria de 10% para o parlamentar e de 5% para o prefeito.

Os envolvidos deverão responder pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude licitatória e formação de organização criminosa, cujas penas, somadas, ultrapassam 20 anos de reclusão.

Redação

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