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Ricardo Teixeira recebeu suborno para votar no Catar como sede da Copa de 2022, diz Justiça dos EUA

ricardo teixeira

Valor não foi revelado pelos promotores americanos, que também acusam o ex-presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, morto em 2019, de participar do esquema

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusa Ricardo Teixiera, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), de aceitar subornos para votar no Catar como país sede da Copa do Mundo de 2022. O valor da propina recebida não foi divulgado. O brasileiro nega as acusações e afirma que a acusação dos americanos eram “perseguição” por ele ter destinado seu voto ao Catar e não aos EUA, que estavam na disputa para ser o país sede da competição em 2022.

Para os procuradores do Distrito de Nova York, vários membros do comitê executivo da Fifa receberam subornos diretamente ligados a seus votos. O documento relata que entre 2009 e 2010, os membros das candidaturas à sede dos Mundiais de 2018 e 2022 prepararam apresentações para tentar convencer os dirigentes.

Jack Warner, de Trinidad e Tobago, então presidente da Concacaf, teria recebido US$ 5 milhões em subornos, e ao presidente da Federação de Futebol da Guatemala, Rafael Salguero, foi prometido US$ 1 milhão, segundo a denúncia. Alejandro Burzaco, ex-diretor da empresa de publicidade argentina Torneos y Competencias, afirmou em 2017 que os três membros do Comitê Executivo da Fifa receberam propinas milionárias para votar no Catar, que superou a proposta dos Estados Unidos por 14 a 8.

O ex-presidente da Conmebol, Nicolas Leoz (morto no ano passado), e o ex-presidente da AFA, Julio Grondona (morto em 2014), também foram acusados de trocar seus votos no Catar por dinheiro.

Já os ex-executivos da 21st Century Fox Hernán López e Carlos Martínez foram acusados de fazer pagamentos aos dirigentes da Conmebol para obter informações sobre o leilão pelos direitos de transmissão de um co-conspirador cuja identidade não foi divulgada na acusação.

A ESPN tinha direitos de transmissão nos EUA para as Copas do Mundo entre 1994 e 2014, mas em 2011 a Fox obteve os direitos para os torneios de 2018 e 2022. Depois que a competição no Catar foi transferida para o final do ano, a Fifa concedeu à Fox os direitos de 2026 sem licitação.

Marco Polo del Nero é acusado de receber propina pela Copa de 2018, enquanto Teixeira estaria envolvido também com esquema relacionado ao Mundial de 2022
Desde que as primeiras acusações envolvendo dirigentes da Fifa foram realizadas em maio de 2015, houve 26 admissões de culpa. O ex-presidente da Conmebol Juan Ángel Napout e o ex-presidente da CBF José María Marin foi condenados – o brasileiro foi libertado na semana passada. Esta é a primeira vez que a Justiça dos EUA cita os nomes dos acusados de receber propina nas votações para as sedes dos Mundiais de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar.

Nicolas Leoz, ex-presidente da Conmebol, e Julio Grondona, ex-presidente da AFA, mortos respectivamente no ano passado e em 2014, também foram acusados de votarem no Catar em troca de dinheiro. Marco Polo del Nero, outro ex-presidente da CBF, foi acusado das mesmas coisas. A diferença é que Teixeira também é acusado de receber suborno pela eleição da Copa de 2022, enquanto ambos são ligados com a eleição da Copa da Rússia, de 2018.

O blog já havia noticiado no ano passado que a Fifa baniu de forma perpétua Ricardo Teixiera do futebol, em decisão tomada pela câmara de julgamento do Comitê de Ética independente da entidade, que alegou violações do ex-dirigente ao código de ética.

Redação

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