Jogo Sujo

Solto por habeas corpus, Coutinho diz que está sendo “massacrado”

ricardo coutinho

Para investigadores do MP-PB, porém, as duas mil horas de conversas gravadas entre o ex-governador e o delator mostram o acerto da propina

O ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB) deixou o presídio na noite deste sábado (21/12) após a concessão de habeas corpus feita pelo ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Alvo da Operação Calvário-Juízo Final e acusado pelo Ministério Público da Paraíba de chefiar uma organização criminosa que desviou mais de R$ 130 milhões em recursos públicos durante seu mandato, entre 2011 e 2018, ele havia sido preso dois antes, ao desembarcar no aeroporto internacional de Natal. O STJ alegou que prisão preventiva não pode ser usada como método investigativo.

“Estamos em meio a uma guerra violenta. Não é só comigo. Eu estou sendo massacrado. Essa construção de narrativas não visa somente me atacar. Existe um claro mapeamento sobre o partido (PSB) e sobre o nosso grupo de militantes. A prisão da prefeita do Conde (Marcia Lucena, acusada de envolvimento) é de uma violência. Ela foi presa porque, em 2014, tinha feito três dispensas de licitação para contratar uma empresa que hoje foi denunciada. Se tivesse algo errado, o Tribunal de Contas diria na época”, defendeu-se o ex-governador em entrevista a jornalistas.

Ele ainda garante que seu patrimônio é totalmente compatível com a renda que obteve ao longo de 28 anos de mandatos públicos.

Conversas foram gravadas por empresário e delator durante oito anos
As gravações obtidas pelo Gaeco do MP mostram Ricardo Coutinho debatendo valores de supostas propinas com o empresário Daniel Gomes da Silva, operador das Organizações Sociais (OSs) Cruz Vermelha do Brasil (CVB) e Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional (Ipcep), que geriam hospitais no estado. Daniel Gomes relatou a investigadores que superfaturava contrato de organizações sociais na área de saúde, e pagava 10% do valor em propina a Coutinho (PSB).

Nas conversas, há acertos sobre pagamentos de propinas, de acordo com os investigadores.

Daniel Gomes: “Eu consigo trabalhar seguramente com 10%, esse número é bem seguro”.
Ricardo Coutinho: “Mas isso no início ou no fim?”
Daniel Gomes: “Posso fazer quando o senhor fizer a primeira entrada aqui, eu já consigo viabilizar parte, posso adiantar”.

Ricardo: Me diz uma coisa, aquela contribuição tá sendo repassado?
Daniel: Eu tô… se não me falha a memória, com 800 em aberto com Livânia…
Ricardo: Tá em aberto?
Daniel: Em aberto 800, mas ela sabe direitinho… tô com a planilha… eu tô repassando pingado… eu só pedi pra ela segurar um pouquinho …
Ricardo: Tá repassando… ah, é … em qual o mês, o último?
Daniel: O último foi R$ 120 mil em agosto, no início de agosto, eu tenho planilha de tudo isso, se o senhor quiser viu? Eu… eu tenho salvo na minha pendrivre… eu tenho salvo também…

Redação

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